Este trabalho tem o intuito de descortinar um determinado campo no qual as produções subjetivas e as variações sonoras se friccionam, se conectam, se imbricam, se distanciam, divergem. Para cumpri-lo, mostramos inicialmente que som, ruído, barulho e silêncio, todas essas figuras só têm existência em relação à nossa audição, nua ou ornamentada – segundo as várias estéticas distendidas no tempo – com as múltiplas invenções técnicas: estas, nossos órgãos acrescentados. Sendo corpo e mundo fios de uma mesma urdidura, porque somos seres sonoros e ouvintes, discutimos as relações entre a escuta, nossas faculdades cognitivas e as diversas sonoridades, sem nos deixar atravessar pela clássica cisão interno- -externo. De outro lado, as venturas e desventuras, ao longo da história da música, de nossa gestualidade oral, indicaram-nos que música e voz tampouco estabelecem relações antinômicas. Percorremos, então, dois modelos considerados a título de produção de subjetividade: a obra freudiana e su