Este livro tematiza o recente acesso dos Hupd’äh da região do Alto Rio Negro (AM) à rede socioassistencial e ao Programa Bolsa Família (PBF). Por um lado, realizo o exame da elaboração e execução dessas políticas públicas a partir das articulações interinstitucionais envolvendo a antiga Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), por outro, investigo a relação dos Hupd’äh com a burocracia na cidade de São Gabriel da Cachoeira (AM). Trata-se de um exercício etnográfico que visa problematizar a disposição anárquica e pouco protocolar dos Hupd’äh, conforme descrito em parte da literatura etnológica, além do entendimento da administração do Estado como uma entidade regrada sobretudo pela impessoalidade, ocupada com a indiferenciação dos cidadãos, apesar de políticas com fundo multicultural.
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Uma etnografia densa, como exige toda boa antropologia, mas com o raro talento de não ser tediosa. “Cadê a identidade? Documentos e bene