Se a fenomenologia é um tipo de saber que se ocupa com a significatividade dos fenômenos e se todo fenômeno possui uma autonomia relativa, uma vez que seu campo de significação não é imposto narcisicamente pela subjetividade humana, então, o que seconvencionou a chamar no Ocidente de experiência mística possui direito de ser nessa tradição de pensamento. Ainda que a mística tenha sido considerada inicialmente um tipo específico de teologia, como aparece em Pseudo-Dionísio Areopagita, ela acena para uma experiência irredutível à razão teórico-analítica, assim como às racionalidades prático-operativas. Trata-se de uma experiência fruitiva do mistério. Este, contudo, antes de ser um atributo divino que assinala os limites da racionalidade humana, se identifica com o que o pensador alemão Paul Tillich nomeou de ultimate concern, que poderia ser compreendido como acontecimento de sentido cuja especificidade implica a integralidade da condição humana e o modo como esta habita o mundo. Apesar