Uma das características centrais da condição social moderna é a conduta racional-instrumental, em que o indivíduo busca, exclusivamente, a maior satisfação possível de suas ambições e interesses pessoais. Tal concepção comportamental é o fundamentoda teoria da escolha racional, que tem encontrado nos últimos anos recepção crescente nas ciências sociais. Mas serA que esse tipo de conduta reflete um princípio inquestionAvel ou algo vinculado à natureza humana? Este livro se propõe a mostrar que a ação racional-instrumental só pode ser plenamente entendida mediante os processos de individualização, de competição social e de formação das instituições políticas liberais que se manifestam na modernidade. Nesse sentido, a partir do exame crítico das diversas vertentes da escolha racional, procura-se indicar que seu entendimento se baseia em uma significação singular e parcial que reflete, e ao mesmo tempo engendra, normas funcionalmente adequadas à organização liberal da sociedade e do Estado.