Há na Antropologia uma indisfarçável vocação de resgate. Perversa ou necessária, ela é uma de suas marcas. Possivelmente cria letrada do colonizador, ela aprendeu afinal a desvelar sentidos da fala do colonizado. No começo, a Antropologia viajou o mundo e substituiu missionários e sábios na busca de povos estranhos e costumes exóticos. Sua missão? Revelar, cientificamente, que o ser estranho e exótico era a essência de uma condição diminuída isto é, ainda não evoluída como a nossa própria do ser humano. Algo semelhante ao que se fez aqui com nossos indígenas, pretos e caipiras. Todos humanos sim, mas a caminho de uma viagem longa que o branco letrado e senhor sempre imagina estar completando.