Segundo a OMS, 359 milhões de pessoas convivem atualmente com algum tipo de "transtorno de ansiedade". Mas o vocabulário diagnóstico contemporâneo não resolve a pergunta que Freud recoloca: de que afeto estamos falando? Medo, angústia, ansiedade? As três palavras já foram escolhidas, em português, para traduzir o título deste livro — e a diferença entre elas está longe de ser um detalhe técnico. Em 1926, Freud publicava o livro que revolucionou a compreensão desse afeto. Depois de sustentar durante décadas que a angústia era produto do recalque, ele inverte a relação: a angústia não é consequência do recalque, mas sua condição, e está ligada a uma estrutura comum a todos os seres humanos: nosso desamparo.
Com a coragem de rever suas próprias teorias, Freud dá um passo adiante na compreensão da angústia e seus correlatos clínicos. Diante do perigo, a angústia funciona como um sinal, um alarme antecipado que convoca as defesas antes que o trauma se instale. Inibição, sintoma